Programa de Pós-Graduação em História Econômica

1. Objetivos gerais do Programa

O Programa de Pós - Graduação em História Econômica do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo define-se pelo estudo e pesquisa voltados para os aspectos econômicos no campo da História, considerando, portanto, a perspectiva dos historiadores. Seus objetivos ultrapassam o arrolamento cronológico e/ou quantitativo das ocorrências econômicas, buscando compreendê-las dentro de contexto social mais amplo, em que o econômico só pode ser entendido quando relacionado à política e à cultura. Parte, portanto, de visão mais ampla da economia, como instância do histórico, em movimento dialético e não em perspectiva economicista.
 
A partir desse posicionamento teórico, o Programa encontra-se estruturado em importante diversidade, que implica em gama variada de análises, desde as conceituais até as econométricas, fixando-se principalmente na produção social dos eventos econômicos. Essa mesma preocupação inspira o estudo de conceitos e representações, expressos na historiografia e no pensamento econômico, em diferentes épocas e contextos.
 
Na perspectiva teórica que ilumina o Programa, riqueza e pobreza são entendidas, nos seus processos de produção, de manutenção e de reprodução, além da dimensão quantitativa, em sua inter-relação com as manifestações políticas, sociais e culturais, assim como os estudos sobre população ultrapassam a análise estatística, alinhando-se com as tendências mais recentes da historiografia, isto é, considerando os perfis de gênero e de idade, as estruturas familiares, as estratégias de manutenção do patrimônio e de privilégios, o cotidiano das relações familiares, entre outros aspectos.
 
Em suma, voltado para a reflexão sobre as questões teórico-metodológicas próprias do campo de estudos que privilegia, bem como  para  a análise da organização econômica,  dos processos de produção no campo e no mundo urbano, das questões referentes à população em sua ampla diversidade, das políticas públicas,  o Programa tem, na História Econômica, sua única área de concentração.
 
 

2. Evolução do Programa

Desde sua criação em 1971, o Programa de Pós-Graduação em História Econômica vem apresentando diferentes tendências em suas linhas de pesquisa e de orientação, tendências que acompanham de perto o movimento da historiografia nacional e internacional e correspondem a claros indicadores sobre o perfil do seu corpo docente.
 
Esse processo evolutivo pode ser constatado ainda antes do nascimento do Programa nos anos 70, uma vez que os estudos de Alice P. Canabrava, Olga Pantaleão, Astrogildo R. de Mello e Eurípedes Simões de Paula no decorrer da década de 1940 – e que terão importância fundamental nos estudos posteriores de História Econômica que irão desenvolver-se na Universidade de São Paulo – podem ser considerados precursores nesse sentido.
 
Nos anos 50 e 60, inúmeras outras teses viriam enriquecer as análises sobre o Brasil e a América Latina em geral, enfatizando especialmente a questão do comércio e da agricultura. Datam dessa fase os estudos clássicos de Myriam Ellis, Maria Thereza Schorer Petrone, Manoel Nunes Dias e Emanuel Soares da Veiga Garcia.
 
Nos anos 70, o perfil do primeiro corpo docente que formou os quadros do Programa representava a síntese das preocupações de pesquisa na área,  abrindo um leque de opções aos alunos ingressantes e assegurando um trabalho fecundo de orientação em: Economia e Comércio Coloniais, Estrutura Agrária, Escravismo, Modernização e Industrialização, Relações de trabalho e Sindicalismo. Frutos desse momento integraram o corpo docente Suely Robles Reis de Queiroz, Edgard Carone, José Eduardo Marques Mauro e José Jobson de Andrade Arruda. Do ponto de vista temático e teórico, a década de 70 refletiu modificações importantes no corpo da produção intelectual, com a abertura de novas perspectivas de análise, enfocando os grupos minoritários, os estudos regionais, os mercados internos, dando-se relevo às abordagens quantitativas.
 
As pesquisas concluídas na década de 80, tanto por parte do corpo docente, quanto por parte do corpo discente, seguiram a trilha fecunda do momento anterior, pautando-se por análises regionais, com cortes no tempo e, principalmente, pela revisão de temas antes consagrados, abrindo assim possibilidades novas de pesquisa.
 
No decorrer da década de 1990, o Programa trataria atualizou e adequou o seu perfil, face à ampliação do número de orientadores credenciados e ao aumento da demanda dos alunos. Sem dúvida, preocupações teórico-metodológicas advindas dos momentos anteriores, entre os anos 40 e 80 continuaram definindo suas linhas de pesquisa, o que não impediu que mudanças importantes ocorressem nessa fase. Havia, no entanto, que preservar o caráter eclético da tradição uspiana, conciliando ambos os aspectos.