Eduardo Natalino dos Santos

 

 

 

 

Bacharel e licenciado em História pela Universidade de São Paulo (USP), entre 1992 e 1995, onde também realizou seu mestrado e doutorado em História Social, entre 1997 e 2005. Fez cursos, estágios e pesquisas bibliográficas na Universidad Nacional Autónoma de México, entre 1998 e 1999 e entre 2002 e 2003, e na Stanford University, em 2004. É professor doutor no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP desde 2006, onde leciona principalmente as disciplinas História da América Pré-hispânica e História da América Colonial e se dedica a pesquisas sobre as concepções de história e de cosmogonia dos povos mesoamericanos e andinos, de tempos pré-hispânicos e coloniais. Além de vários artigos, publicou seu mestrado com o título “Deuses do México indígena. Estudo comparativo entre narrativas espanholas e nativas” – seu doutorado está no prelo e será publicado até o final de 2009 com o título “Tempo, espaço e passado na Mesoamérica. O calendário, a cosmografia e a cosmogonia nos códices e textos nahuas”. É um dos membros-fundadores do Centro de Estudos Mesoamericanos e Andinos da USP (www.fflch.usp.br/cema), que realiza, desde 2000, atividades sobre História e Arqueologia dessas duas regiões da América Indígena, tais como colóquios, seminários permanentes, grupo de estudo de nahuatl e quéchua etc. Possui também experiência no ensino de História nos níveis fundamental e médio, nos quais trabalhou entre 1992 e 1996 e para os quais escreveu um livro paradidático intitulado "Cidades Pré-hispânicas do México e América Central".

Sala: Corredor
E-mail: natalino@usp.br
Currículo Lattes
Linhas de pesquisa:História da Cultura e História Política / Temas: História da América Pré-hispânica (Mesoamérica e Andes); História Indígena Colonial; Fontes nativas mesoamericanas e andinas (pré-hispânicas e coloniais).

 
Projeto de Pesquisa Atual
 
História e cosmogonia segundo as elites mesoamericanas e andinas: características e transformações em tempos pré-hispânicos e coloniais.
As explicações históricas e cosmogônicas dos povos mesoamericanos partiam de pressupostos bastante distintos dos que fundamentavam o pensamento da cristandade ocidental no início da época Moderna – pensava-se, por exemplo, que o mundo natural havia passado por grandes transformações desde sua criação inicial e que o ser humano havia sido criado mais de uma vez. Além disso, tais explicações empregavam concepções de tempo, espaço e agentes que também eram muito distintas das que pautavam o pensamento dos cristãos – acreditava-se, por exemplo, que a fronteira entre deuses e homens era transponível e frequentemente ultrapassada nos dois sentidos. Sem perceber ou valorizar essas distinções, ou interpretando-as segundo seus próprios pressupostos e cânones, os cristãos que escreveram sobre a história e a cosmogonia dos povos mesoamericanos durante o início do período colonial legaram um conjunto de fontes que tem influenciado fortemente a visão dos estudiosos sobre esses temas, apesar de, muitas vezes, portar mais informações e características do pensamento cristão-ocidental do que do pensamento mesoamericano. Analisar as fontes nativas para detectar e explicar as particularidades das concepções mesoamericanas de tempo, espaço, agente e passado, bem como as funções políticas e transformações dessas concepções durante a passagem do período pré-hispânico ao colonial, foi um dos principais objetivos das pesquisas anteriores, que abordaram centralmente os povos nahuas. Baseando-se nos resultados dessas pesquisas, as novas investigações, realizadas desde 2006, perseguem, basicamente, dois objetivos. O primeiro é analisar as concepções de tempo, espaço e agente nos textos históricos e cosmogônicos dos maias e mixtecos com o mesmo grau de profundidade e detalhamento que dedicamos aos nahuas nas pesquisas anteriores, nas quais as fontes maias e mixtecas foram estudadas de modo secundário, apenas para dar suporte comparativo ao caso nahua. Com isso, será obtido um painel mais equitativo sobre o comportamento desses temas de investigação nas diversas sub-regiões mesoamericanas, o qual permitirá diálogos e debates tanto com a produção acadêmica que trata especificamente de cada sub-região como com a que se dedica a tratar da Mesoamérica de modo mais amplo e geral. O segundo objetivo é estender o tipo de pesquisa realizado sobre a Mesoamérica para os Andes Centrais, a outra macrorregião da América Indígena que contou com sociedades estatais – e, por vezes, expansionistas – no período pré-hispânico, cujas redes de poder e elites dirigentes, assim como na Mesoamérica, foram peças fundamentais para as conquistas “castelhanas” e para o estabelecimento e permanência dos europeus durante o primeiro século do período Colonial. Em outras palavras, o objetivo é investigar, nas fontes nativas, particularidades das concepções de história e cosmogonia das elites andinas, que não se encontram nos escritos de origem cristão-colonial, bem como analisar os principais usos políticos e transformações dessas concepções na passagem do período pré-hispânico ao colonial, mapeando diferenças e semelhanças em relação ao caso da Mesoamérica.